O presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios (APEGAC), Vítor Amaral, afirmou nesta sexta-feira que a crise originou dívidas incobráveis, que têm aumentado progressivamente.

“Sempre tive muitas acções em tribunal, mas não tinha uma única situação incobrável. Com esta crise, desde há três anos para cá já tenho vários casos”, admitiu o dirigente, que está no sector há 19 anos.

Na véspera do 1.º Congresso Nacional de Condomínios, Vítor Amaral explicou tratar-se de pessoas que “não têm por onde pagar (…), não trabalham, não têm um carro, não têm bens penhoráveis”. Os apartamentos estão já na posse do banco, onde foi pedido o crédito, ou pertencem a outra pessoa, disse.

Quando o apartamento ainda é propriedade da pessoa tende a haver uma hipoteca por “um valor superior ao valor real” da casa, cujo valor da venda “vai todo para o credor hipotecário, deixando os outros sem nada”, indicou.

Na empresa do dirigente da APEGAC somam-se dois milhões de euros de débitos vencidos e desse total metade deu origem a acções judiciais.

“O condomínio é sempre a última coisa que se paga, porque não há uma consequência directa e imediata”, ao contrário da falta de pagamento da luz ou da água, reforçou.

No 1.º Congresso Nacional de Condomínios, a realizar no sábado, em Lisboa, Vítor Amaral prevê o anúncio pelo Instituto da Construção e do Imobiliário (INCI) da aprovação da regulação da actividade “muito em breve”.

“Esta é uma actividade que não está regulamentada e que envolve muita gente: cerca de 60 a 70% vive em propriedade horizontal, em condomínios”, notou o responsável à Lusa.