O primeiro registo conhecido sobre a atividade de administração de propriedades por conta de outrem tem pelo menos 1952 anos, e está documentada nas cartas de Séneca, o conhecido filósofo romano pensador romano que chegou a ser precetor de Nero, dirigidas a Lucílio, seu amigo e à data governador da Sicília.

Na 12ª Carta de Séneca a Lucílio, escrita no ano 64 da era cristã relatava o filósofo “vim à minha villa suburbana e queixei-me das despesas causadas pela degradação persistente do edifício. O administrador disse-me que os defeitos não eram de forma alguma causados pela sua negligência: tudo o que era necessário foi feito, mas a moradia já estará decrépita”.

Mais adiante Séneca reitera as suas queixas ao administrador referindo: “irritado, aproveitei a primeira oportunidade de repreendê-lo: “É claro que aqueles plátanos têm sido negligenciados” – disse eu – ” não têm folhagem, os galhos estão retorcidos, e os seus troncos estão tristes e sórdidos”! Tal não teria acontecido se tu os tivesses circulado com canteiros e os tivesses regado. Ele jurou que tudo fizera, que nenhuns cuidados tinham sido omitidos, mas eles já estavam envelhecidos”.

Séneca, viria a reconhecer mais adiante, na mesma missiva, que de facto a sua irritação e reclamações tinham mais a ver com a constatação da sua provecta idade, já que quer a casa quer o jardim tinham feito parte da sua infância, do que pelo efetivo incumprimento, por parte do seu administrador, dos cuidados devidos à administração da propriedade.

Fica assim indubitavelmente comprovado documentalmente que a atividade de administração de propriedade alheia já data dos primórdios da era cristã, com contextos relacionais que não serão totalmente estranhos aos profissionais de hoje.