Paulo Trindade, presidente da ASAVAL – Associação Profissional das Sociedades de Avaliação, revela que as avaliações imobiliárias traduzem a realidade do mercado, no entanto, alerta as famílias que procuram atualmente adquirir uma habitação tenham presente que o estão a fazer numa fase de valorização do ciclo imobiliário.

Porque estão a subir significativamente as avaliações bancárias?

Os dados disponibilizados pelo INE apontam para uma subida no valor médio das avaliações realizadas para habitação de 4,6% no período de janeiro a julho de 2019. As zonas com maior subida são o Norte e o Algarve, ambos com 5%, sendo que na Área Metropolitana de Lisboa se regista uma média de 3,9 %. Não obstante existir uma certa tendência dos mercados nas zonas mais periféricas para a estabilização, continua a verificar-se alguma valorização nos grandes centros e Algarve, zonas onde a procura permanece elevada e os stocks reduzidos. As taxas de juro baixas e a manutenção da apetência dos bancos pelo credito à habitação, ainda que com regras mais apertadas, bem como o facto dos stocks existentes de habitação terem baixado significativamente em muitas zonas, têm contribuído para que se mantenha a dinâmica no mercado imobiliário e que continue a existir alguma valorização dos imoveis.

Está equilibrado ou desequilibrado a relação avaliação e os preços das casas? Qual o verdadeiro impacto no real valor das casas?

As avaliações traduzem a realidade do mercado, uma vez que se baseiam tanto quanto possível nas transações realizadas e na análise que os peritos avaliadores fazem do mercado imobiliário. É normal que em mercados onde a procura tende a superar a oferta, possa existir algum desfasamento entre o preço solicitado e o valor de mercado do imóvel.

Considera que de facto existe especulação de preços?

Considero que nas zonas onde se mantém uma forte procura e onde já não existe stock, há uma tendência para que exista uma subida nos asking price, mas que poderá não corresponder obrigatoriamente a uma subida ao mesmo nível nos valores de mercado.

Qual o impacto na compra de casa por parte dos portugueses?

É prudente que as famílias que procuram atualmente adquirir uma habitação tenham presente que o estão a fazer numa fase de valorização do ciclo imobiliário, pelo que podem ficar mais sujeitas a adquirir acima do valor de mercado, se não estiverem suficientemente informados ou se não apoiarem o seu investimento num parecer de um perito avaliador.

Quais os grandes problemas que persistem ainda na avaliação imobiliária?

A questão dos honorários continua a ser um dos problemas centrais da atividade de avaliação imobiliária. Não podem persistir honorários de 70 ou 80 euros para avaliação de um apartamento por exemplo, porque face à estrutura de custos necessária para o desenvolvimento de um relatório de avaliação, que implica formação técnica continua dos peritos, responsabilidade perante o regulador e o cliente, custos com a regulação da atividade, seguros e deslocações, é quase impossível existirem margens dignas. A qualidade do trabalho desenvolvido pelas sociedades de avaliação tem de ser acompanhada por remuneração compatível com a perícia requerida e a responsabilidade assumida. Existem igualmente outras questões que necessitam de resposta urgente, como uma melhoria de certos aspetos na regulação da atividade e a adoção generalizada das normas internacionais de avaliação, nomeadamente, as EVS – Normas Europeias de Avaliação.

 

Aproveito para referir que o Congresso 2019 da ASAVAL, a realizar-se no dia 8 de Novembro no Centro de Congressos de Lisboa, irá abordar o tema “O Valor de Mercado como Base de Avaliação” que é um dos temas que necessita de ser discutido no âmbito da regulação da atividade. O Congresso contará com a intervenção, de entre outras individualidades, do Presidente do TEGoVA – The European Group of Valuers Associations, entidade que a ASAVAL integra.