Utilização de máscaras e regras de higiene em espaços públicos são algumas medidas exigidas para voltar à normalidade. Creches podem reabrir a partir de maio.

 Mais do que falar sobre os próximos 15 dias, que ainda vão ser de estado de emergência, com circulação limitada e muitos serviços encerrados, o primeiro-ministro foi ontem ao Parlamento deixar um guia para o lento regresso à normalidade, a partir de maio.

A Assembleia da República aprovou ontem a renovação até 2 de maio do estado de emergência, que será agora menos restritivo, embora mantenha muitas das limitações impostas desde meados de março.

No encerramento do debate, António Costa afirmou que “os próximos dias são fundamentais para que maio seja um mês progressivo, gradual, seguro para retomar a capacidade de poder viver em condições de maior normalidade”, elencando os passos para lá chegar.

“Em primeiro lugar, é fundamental dar confiança aos cidadãos para que possam sair de casa.” Para isso, o Governo vai “tornar abundante no mercado nas próximas semanas os meios de proteção individual”. Depois de terem sido definidas várias regras com as autoridades de saúde, a utilização de máscaras de proteção social e de álcool-gel deve ser massificadas.

Em segundo lugar, vão ser definidas também “normas de higienização” nos postos de trabalho, nos espaços públicos e, sobretudo, nos transportes públicos. “Teremos de dar resposta a esta dificuldade logística – gerindo horários desencontrados, novas organizações de trabalho que não criem ondas de ponta muito fortes e aumentando a oferta”, afirmou Costa.

Ao mesmo tempo, será necessário assegurar que o Serviço Nacional de Saúde continua a ter capacidade de resposta. Segundo o primeiro-ministro, a taxa de ocupação nos cuidados intensivos ronda os 55%. Ainda assim, esta capacidade só se manterá se “a pandemia continuar controlada”, assegurou.

Creches e pequeno comércio abrem em maio

Garantido este caderno de encargos, maio será um mês decisivo para começar a abrir o país, ainda que de forma gradual.

António Costa disse querer abrir as creches em maio, já que “são fundamentais” para evitar que muitas famílias tenham “perda de rendimento” ou “um esforço acrescido” estando em teletrabalho. “Gostaria muito que, pelo menos, no período praia-campo as crianças do pré-escolar pudessem voltar a conviver, porque é muito importante para a sua formação”, acrescentou o chefe de Governo.

Segue-se depois o pequeno comércio e restauração, com medidas graduais de abertura e os “cuidados pessoais”, como cabeleireiros e barbeiros. Nestes casos serão necessárias “normas específicas de segurança para os profissionais e para os utentes”, que sejam definidas para que estes serviços possam abrir ainda em maio.

Empresas devem adotar trabalho alternado

Além destes serviços, o primeiro-ministro quer também avançar em maio para a reabertura gradual de equipamentos culturais e desportivos e espetáculos ao ar livre.

A reabertura destas atividades deverá começar pelas que têm “lotação fixa e lugares marcados, de forma a permitir o distanciamento social necessário” e exigirá o uso de máscara.

O primeiro- ministro destacou também que quem pode continuar em teletrabalho deve fazê-lo. O regresso à normalidade nas empresas deve passar por “novas formas de organização”, apontou o primeiro-ministro, “trabalhando uns de manhã e outros à tarde, trabalhando uns numa semana e outros noutra semana”. O objetivo é “ir libertando as pessoas do confinamento doméstico”, e começar a olhar “com realismo e prudência” para um “programa sério” de relançamento da economia.

O primeiro-ministro apelou ainda aos portugueses para que façam férias “cá dentro”.