Desde a génese das telecomunicações móveis digitais, a eficiência, cobertura e capacidade do espectro têm vindo a desenvolver-se de forma notável.

A rede 2G, passando pela 3G e a atual 4G têm acompanhado o ritmo de crescimento do tráfego, que é cada vez maior. Mas hoje no que todos nós ouvimos falar é na quinta geração, que na verdade já é usada, mas não de forma generalizada. O 5G não vai ser apenas uma ferramenta para transmitir mais dados em menos tempo, mas abrirá um leque de possibilidades para a internet das coisas (IoT), na qual será necessário suportar a interação de milhões de dispositivos. Os principais players neste mercado não têm qualquer dúvida que o 5G não é apenas uma necessidade, mas também uma grande aposta no futuro.

Já este ano, espera-se que haja 30 mil milhões de dispositivos conectados. Ter acesso à internet não móvel tornou-se uma necessidade básica e sermos capazes de fazer videochamadas de qualidade e vermos conteúdo em streaming sem interrupções são exigências cada vez mais imperiosas. Os 300 Mb/s de download que oferecem atualmente as redes 4G aparentemente não conseguem satisfazer as necessidades futuras dos utilizadores quanto a conectividade e velocidade.

Além de conectar os nossos telefones ou computadores, a internet das coisas aspira à hiperconectividade, ou seja, a capacidade de ligar simultaneamente as nossas casas (domótica), carros, relógios e cidades à rede. Para processar, analisar e aproveitar a quantidade de dados que isto supõe, é necessária uma estabilidade constante. Algo que o 4G não pode garantir, tornando-se necessária a implementação do 5G. Basta vermos os noticiários de hoje. Numa altura de confinamento, são vários os intervenientes que comunicam com as televisões via plataformas como Skype ou Zoom e é notória a constante perda de qualidade de imagem e som.

Além da redução do consumo de energia que o salto para o 5G supõe, um dos aspetos mais importantes desta tecnologia é a possibilidade de incorporar novos serviços e novas experiências de uso no dia a dia do utilizador. Produtos e experiências que agora só conseguimos imaginar, como os veículos autónomos, a telemedicina ou o cenário que descrevemos nas páginas anteriores poderão tornar-se realidade graças aos avanços que se prognosticam para o 5G.

Nos veículos autónomos, por exemplo, as redes 5G poderão responder o suficientemente rápido para coordená-los, sejam automóveis que se comuniquem com uma central de controlo ou para se comunicar entre si. Nas videoconferências, vai ser possível estabelecer uma conversação através de um vídeo extremamente nítido e com alta resolução. No entretenimento, com uma conexão 5G vai ser possível fazer streaming de conteúdos diretamente nos dispositivos de realidade virtual. E na telemedicina, os médicos vão poder realizar uma operação ou cirurgia de forma remota. Os atrasos na conexão serão tão pequenos que os médicos poderão usar robôs para operar a mil quilómetros de distância. Todo um maravilhoso novo mundo.

A tecnologia de quinta geração permitirá 90% de economia de energia por serviço proporcionado, em relação ao 4G.

O 5G conseguirá uma latência menor de um milissegundo, muito menor do que se alcança com a tecnologia anterior com médias de 50ms.

Enquanto com o 4G a conexão ressente-se em lugares especialmente transitados, o 5G permitirá uma conexão simultânea de uns 100 mil milhões de dispositivos.

As frequências utilizadas serão muito maiores, com a nova tecnologia a alcançar de 6GHz a 100GHz. O 4G não utiliza frequências superiores a 3 GHz.